Suzurantõ


O programa foi bem simples. Encontramo-nos nós sete na estação, fomos a um restaurante, depois a uma galeria e, finalmente, a uma cafeteria. Mas o roteiro foi escrito no caminho, tal como fazíamos há alguns anos.

 

– Só sei aonde devo ir quando vejo isso – apontou para as lanternas decorativas no poste vermelho.

 

– Eu também – concordei sorrindo sob a máscara.

 

O nome do bairro me parecia tão irônico naquele domingo…

 

Perdera-se voluntariamente o ir e vir: Era impossível andar por ali sem aguardar alguém, desviar de alguém, esbarrar em alguém. “Fidedigno: Populoso como a China!”.

 

E todos eram submissos, tal como os escravos africanos que pereceram naquelas mesmas terras ou os imigrantes orientais forçados a ali se reinventar:

 

Os motoristas que eram obrigados a atravessar aquelas ruas se submetiam aos transeuntes, os quais, por sua vez, se sujeitavam uns aos outros.

 

Perdia-se o dia em suaves prestações de alguns minutos, imortalizando o que não se vivia em dispositivos por meio da fotografia, edição por filtros e redação de legendas, furtiva produção em série. “Venha a este ponto turístico. Não é preciso fazer turismo. Basta dizer para seu público que é turista. Que está turista”, letras miúdas nas entrelinhas. Vinham à tona em qualquer lugar com alguma fama ou história.

 

Buscava-se algo sem saber o que era ou sua finalidade. Alguns, como eu, consumiam porque já estavam lá. “É tarde demais para voltar… Não há o que fazer senão comprar”.

 

Mas quem era eu para falar dos grilhões alheios? “Princípios me trouxeram aqui. Eis os meus, saindo do peito”. 

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