A vontade de escrever é um
tipo de sede. Quando ela se abate sobre mim, é porque é urgente, o tipo de
gesto sem o qual não é possível sobreviver. Ainda que seja aliviada somente uma
vez ao dia, ainda que seja após longas jornadas silenciosas. Talvez porque, tal
como a súbita busca por água, evidencia prolongada negligência consigo. Posso
ignorá-la, mas sem deixar de temer consequências ruins: Com ela sinto o gosto
das águas salobras de dentro, densas gotas que afogam e queimam. Mas a água
salobra não pode matar a sede. Ela apenas pode matar.
Sede
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